Cagásse no cemitérrio

È pá tenho que contarr uma coisa que se passou esta nôte… ê nem dorrmi nada.
Atão foi assim,  os mês amigues e ê fomos passearr da baixa depôs da janta, e bebêrr um cópe, o denherro nã dava pa mais.
Ia eu a Tucha, o Toino, e o Janade, agente chama a ele de Janade, mas nã é por o gaje fumarr daquelas coisas que põe um gaje maluque, ele já é, nã prrecisa disse, è um pute engrraçade munta alte cas perrnas dele faz lembrrarr um cegonha, tem uns olhes mai grrandes ca té parrece um bezugue, é um pute esgrroviade daspéto, mas bom mecinhe, anda-me com umas botas á fuzilêrr daquelas que tem umas tachas porr de baixo, ca quilo faz um barrulho do carraças ê ja lhe disse á pá vende-me mas é essa merrda, tu até nem andastes dos fuzilêrrs, nem sabes andarr com isse….. atão.. como ia dezendo, bebemos uns canecos e depois  cando vimes ja nã havia  denherro pá camnéta e  fomos a pé pa casa ja passava parra lá da meia nôte. Tava uma nôte munta negrra nem as estrrelas se viam.
Tavamos já ali perrto do cemetérrio, o qué caquela malta sa lembrra, apostarr  comigue que ê nã erra capaz de atrravessarr o cemetérrio até ao outrro lado. Orra êu um gajo geitôzo pa essas merrdas.. O janade disse logo ê cá vou contigo. E prrontes nã foi prreciso mai nada alinhames na cena.
Os outrres bazarrem logo para verrem agente a chegarr do outrro porrtão.
Trrepamos o porrtão canine, e cando ja tavames la drrente comecei a ficarr um cadinho nerrvôzo ma nã disse nada,  escutem lá..nã venham cá com coisas mas aquile mete rrespêtinho tá bêm. Foi cando eu disse ao Janade é pá dá la aí um cigarringe, tu nã falas e ê prreciso de me acalmarr, o janade dê-me um cigarro e derrepente olho pá frrente e vêjo uma luzinha canina a virr a virr cada vez mai perrto, cada vez maiorr,  parrecia o luz do alem, olha o janade assusta-se caquilo e abala a fegirr, ele até tava brranco, pelo menos eu sentia isse,  ja eu sentia-me um bocadinhe nerrvoze porrrque erra a prrimeirra vez quê ia pa uma coisa destas né.
Bem deixei logo de vêrr o Janade,  a luz iam ficande mai perrto, derrepente aparrece-me um homezinhe com um isquêrro aceso, á pá as minhas perrnas parreciam vimes verrdes em dias de vendaval abanavam todas de tal manerra queu ja nã conseguia tarr de pé mas nã tenho mêde , ê tenho é rrespêto perrceberrem? O homezinho depôs disse que erra o guarrda e que ê tinha que darre volta ó cavalinhe e sairr dali,  se não chamava a guarrda, á vezinho tenha  lá calma aí sóce,  disse eu…atão e o mê amigue? Ê tava prreocupade com o mê amigue janade, e pedi parra irr á procurra dele,  cando chego mais á frrente tão a verr aquelas mesas do meio do caminhe, tava la o mê amigue parráde a banar-se todo, e a trremerr, a trremerr,, há mãe, há mãezinha, co home deu-lhe uma coisa, fui devagarrinhe quérra pa nã assutar o home ainda mais có quele tava né! `ò valha-me nossa senhorra de trroia, atão o home tava com o atacadorr da bota prrezo numa rracha  do pé da mesa e nã conseguia sairr dali, cos olhes mais aberrtos ainda e nã dezia nada só puchava o pé mas aquilo tava prrezo, Puz a minha mão no ombrre do gajo parra ele terr calminha que ê ia ajudarr, eu até ja tava mais ou menos calmo, olha….não tão bem a vêrr o pobrre do mê amigue  começa a abrrir e a fecharr a boca, abrria e fechava, parrecia um pêxe forra dágua e nã desmaia cu suste á pá atão nã tá aqui uma carrga dos trrabalhes com este gajo?? Tou lixade tenho que carregar com este cabrrão ás costas pa trraz é que o gajo é magrro mas é pezade pensam o quê.  Puz o gajo ás costas  e voltei parra trraz, as perrnas do janade iam de rrôjo a arrastar as botas, pois atão ele é mais comprride que eu. ê só penssava na malta á nossa esperra do outrro lade o qué quiam dizerr.  Niste comecei a ouvir um barrulhe de querréntes a arrastar atrraz de mim, ê olhava pa trraz e nã via nada, cando eu parrava o barrulho parrava, tal tá a porra hã, mas o qué qué iste?? começava a andarr e lá vinha o barrulhe…. ái minha maezinha do céu, eu ja rrezava que se ê saisse dali eu e  o mê amigue nunca mais entrravamos dum cemeterrio, eu até sentia um frrio a subirr pa espinha acima pá, ê tava com mais vontade de deslarrgar aquele camelo que nã tem outrro nome e ia-me dali emborra. Parrei olhei pa trraz pa fazerr frrente ao fantasma que trrazia as querréntes e ia até fazerr pêtos  pó gajo e tude e ia perrguntarr á pá o qué que tu querres pá, cando descobrri querra das merrda das botas do janade .  Bem iste nã erra pa dezerr mas ê tava todo cagadinhe e o Janade tamem porrque  o gáje até me cheirrava mal. Viemes simborra, puz o gajo dum taxi e viemes pa casa. Cando cá chegames é que me alembrrei do outrres que ficarrem lá á nossa esperra do porrtão a nôte toda… ahahahaha…
Raquel Valagão
 

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2 Response Comments

  • Conceição  Janeiro 9, 2016 at 11:53 am

    Sou uma pessoa triste mas tenho rido como nunca com este blog. Recomendo! Obrigada

     
    Responder
    • charroque  Janeiro 9, 2016 at 7:54 pm

      Sra. Dona Conceição pásse aqui muntas vezes parra que a trristeza seja afujentáda! Rirre é o melhórr remédio. Abrráces sádines.

       
      Responder

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